Eu prometo que um dia ainda vou deixar de falar de política neste blog. Mas ainda não será desta vez. Aproveitando uma matéria veiculada pela internet segundo a qual... "O diretor de relações institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Marco Antônio Guarita, avaliou que a manutenção de índices elevados de popularidade do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está relacionada à percepção favorável da população em relação ao desempenho da economia brasileira, mesmo em meio à crise econômica internacional." ... gostaria de tecer alguns comentários. Primeiro é interessante notar que, segundo o comentário acima, o povo brasileiro entende de economia. Ora, o povo brasileiro não entende nada de economia. Você acha que se entendêssemos de economia o nosso povo viveria tão mal quanto vive? Então me responde: os impostos altíssimos, suecos, que pagamos servem para priorizar que áreas mesmo? Ah, a educação? Sei. Ah, a saúde? Tá legal. Então me diz: Por que existe tanta miséria no Brasil? Por que tantas favelas? Tantas "comunidades"? Tantas pessoas vivendo pelas ruas? Por que o interior é palpérrimo? Por que milhões de pessoas sobrevivem abarrotadas numa única região do país? Por que o Brasil é um país cujo IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) está abaixo de pelo menos 12 países na América Latina? Por que perdemos para o Chile, Argentina, Uruguai, México e até para a Venezuela de Chaves? E por que a gripe suína, por exemplo, mata mais no Brasil do que em qualquer lugar do mundo? (E por que Deus, todo poderoso, permite esses desmandos e barbaridades e mortes já que é brasileiro?) Ora, ora. Nós, o povo brasileiro - e inclua-se aí a "elite" - não entendemos nada de economia. Só se for de fazer economia na quitanda, no mercadinho ou no supermercado. E olhe lá! O maior erro do ex-presidente Collor, que sofreu o impeachment e hoje joga no time do Lula (quem diria, hein?), foi mexer na poupança dos pequenos poupadores. Ou seja, no bolso da maioria do povo. O maior acerto do atual presidente Lula, que hoje conta com Collor, Sarney e Renan no seu time (quem diria, hein?), é dar esperança a essa massa miserável que um dia eles se tornarão parte de uma classe média que na verdade nem existe mais e a uns dez porcento da população que eles continuarão ganhando mais do que sempre ganharam. O povo quer eletrodomésticos e computador. O povo pensa pequeno, menos quando se trata das polegadas do tubo de imagem da TV. O que nós entendemos de economia está diretamente relacionado aos danos ou benefícios causados ao nosso pequeno bolso. E o governo Lula tem conseguido talvez como nenhum outro gerar esperança de ganhos, seja de alguns reais a mais aqui ou alguns bilhões a mais ali, dependendo da classe em questão. É óbvio que se no governo do proletário, pobrezinho e retirante os banqueiros recebessem como lucro, inversamente, algum reais e entre os milhões de pobres do bolsa família fossem dividos os bilhões de lucro dos banqueiros certamente o governo e a "popularidade" do presidente Lula, o filho do Brasil, iriam para o buraco. Lula definitivamente não é nenhum Robin Hood. Ele é apenas rude. A maioria do povo brasileiro pensa... não no dia de amanhã... mas no dia de hoje. Ou seja, nossa visão é curta e não importa se quem está no poder é ético ou não, importa como está a "minha situação". Quando um Flávio Arns, um homem esclarecido, deixa o PT argumentando que o Partido rasgou a sua constituição, fica claro como se sustenta a "popularidade" do governo. Lula, encarnação piorada de Getúlio, é um malabarista político que para gozar das benesses do poder é obrigado a manter em pleno ar, simultaneamente, duas velas acesas, uma para milhões de miseráveis e outra para os poucos ricos que ganham nessa jogatina. No final das contas, o povo brasileiro é um povo carente de valores e finda tendo o governo que merece. Enquanto isso, eu tenho muita pena do Brasil e do maravilhoso desempenho de sua economia que, ironicamente, cresce e se desenvolve sem atender as necessidades de seu povo. "Senhor, tende piedade de nós."
Escrito por artedeescrever@yahoo.com.br às 22h25
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